A equipa do Geopark Naturtejo reforçou as suas competências em actividades de garimpo, no âmbito da capacitação para o desenvolvimento de novos produtos geoturísticos. Esta acção integra uma aposta contínua na qualificação de uma oferta turística diferenciada, profundamente alinhada com a identidade e a história do território.
O Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO propõe ao público uma experiência amplamente apreciada, capaz de transportar o visitante no tempo através das práticas tradicionais de exploração mineira. Trata-se de uma vivência imersiva que permite reencontrar técnicas ancestrais de separação de minerais pesados, como o ouro ou o volfrâmio, num território onde a relação entre recursos minerais e comunidades moldou paisagens e modos de vida ao longo de milénios.
As actividades evocam uma herança mineira com forte expressão desde a época romana, com vários geossítios do Geopark associados a esta temática. Ligado ao lendário Aurifer Tagus, o “Tejo aurífero” das fontes clássicas, destaca-se a Mina de Ouro Romana do Conhal do Arneiro (Nisa), uma das maiores explorações de ouro romanas da Península Ibérica, pela sua escala e engenharia de desmonte do território. Referência também para os vestígios da Rota das Conheiras, na margem do Ocreza, incluindo as Conheiras de Foz do Cobrão e Sobral Fernando, bem como o Complexo Mineiro da Presa (Penamacor).
O garimpo de ouro em meio fluvial prolongou-se quase até à actualidade, praticado por “gandaieiros”, grupos de profissionais que se dedicavam à exploração de ouro de aluvião no rio Ocreza e no rio Tejo. Com base num conhecimento empírico da dinâmica fluvial, utilizavam-se técnicas que permitiam concentrar directamente o ouro.
Durante o século XX, em especial no contexto da Segunda Guerra Mundial, esta região conheceu um forte ciclo de exploração de minérios como o volfrâmio e o estanho, marcado tanto pela mineração industrial, em explorações como as Minas das Fragas do Cavalo, o Complexo Mineiro de Segura ou as Minas da Mata da Rainha, como por actividades informais de recolha de minério, incluindo o bateio e a selecção manual de minerais pesados em cursos de água. Este período teve expressão em várias áreas do território, como Segura, Medelim, São Miguel d’Acha, Proença-a-Velha, Monfortinho ou Salvaterra do Extremo.
No século XXI, o garimpo no Geopark Naturtejo afirma-se como uma actividade turística e educativa muito procurada, que permite compreender a ligação entre geodiversidade, história e práticas tradicionais de exploração de recursos. Durante a Primavera e o Verão, quando o caudal dos rios diminui, realizam-se actividades que proporcionam aos visitantes a experiência directa destas práticas, onde aprendem a identificar zonas de concentração natural de ouro e a aplicar técnicas de separação em sedimentos fluviais, baseadas na diferença de densidade dos materiais, em que os minerais mais pesados, como o ouro, se concentram no fundo, enquanto os mais leves são removidos.
A geodiversidade local explica esta riqueza: a erosão prolongada de granitos e filões mineralizados, associada ao desmonte natural das rochas ao longo de milhões de anos, libertou minerais que foram posteriormente transportados e acumulados em depósitos aluvionares nas ribeiras e rios da região, como o Tejo, Erges, Ocreza e Ponsul.
A actividade “O Ouro das Portas de Almourão”, promovida anualmente no âmbito do programa Ciência Viva no Verão em parceria com o Centro Ciência Viva da Floresta, é um grande sucesso, com elevada procura. Esta experiência encontra-se disponível ao público e está também integrada no programa turístico de 7 dias / 6 noites “Rota do Oiro”, reforçando a oferta de turismo de natureza e conhecimento no território.
O Geopark Naturtejo é parceiro institucional do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal, integrando-se assim na valorização e divulgação do Património Geomineiro nacional.
Mais informação sobre Património Geomineiro do Geopark Naturtejo:
- https://roteirodasminas.dgeg.gov.pt/media/xyucodx2/3078_d002233.pdf
- https://roteirodasminas.dgeg.gov.pt/media/dhwlsyek/3085_d003021.pdf